Abro a janela de par em par é
como abrir as janela do meu coração, a luz do sol ainda tímida inunda tudo,
devagarinho vai abrindo espaço criando um arco-íris nas paredes e enfeitando o
chão com inúmeros desenhos. As lembranças bailam na mente em ritmo acelerado ou
lento sinto o cheiro de outros tempos de outro lugar.
Seu rosto preenche o espaço entre
a realidade e o passado, então procuro no fundo do pensamento uma palavra sua,
uma frase daquelas de efeito que só você sabia dizer, encontro um vazio
desesperador alucinante, uma saudade do tamanho da minha janela. Ao longe
vislumbro a cidade pessoas apressadas, ninguém escuta meu grito de desespero,
não percebem a agonia de uma vida que morre em meio à saudade.
Deixo o olhar passear no passado,
tempos idos de alegria e amor, recordo com nitidez o dia do adeus, assim o fim,
as palavras retornam como um turbilhão, são como ondas gigantescas a afogar a
minha esperança, está gravado nitidamente em minha mente transtornada que
procura em vão no vão da janela uma saída.
A janela meu único refúgio, o
espaço entre a dor e a tristeza a estrada que liga você a mim e eu a você, sigo
inerte não sinto frio nem calor, olhando pela janela sinto apenas a saudade
doer fundo desmontando o que restou da mulher que um dia te amou, e que ainda
ama que teima em trazer para mais perto a ferida aberta pelo adeus, restou
apenas o rosto que olha pela janela, que procura na estrada um corpo, um olhar.
Teu nome vem aos meus lábios, mas
o som é um grito de agonia, uma dor aguda atravessa meu peito, como um punhal
afiado que rasga de lado a lado o coração ferido moribundo.
Olhar pela janela buscar no tempo
e na voz do vento noticias suas apenas o som do silêncio me responde.
Uma procura infinita se estende
por este espaço, no meu corpo o calor do teu abraço, na minha boca o gosto
daquele beijo triste no dia do adeus, um olhar pela janela, uma lembrança que
resiste ao tempo, um olhar pela janela é o que me resta.
Ceres, 22 de fevereiro de 2018.
Maria Edith Faustino de Araújo
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